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O Igarapé Fundo, suas histórias, a agonia e uma tragédia anunciada

junho 23, 2010

A história que teima em se repetir

Animais mortos são despejados no igarapé

Desde que me mudei para Rio Branco, há 3 anos, moro nas proximidades da região chamada Nova Estação, um dos inúmeros bairros que circundam as margens do Igarapé Fundo. Quase diariamente atravesso toda a extensão da rua Belém, e cruzo com o curso d’água. Na época da seca o odor do esgoto que desce de diversos bairros é insuportável, o excesso de lixo e a ocupação desordenada de suas margens se somam e concorrem para uma catástrofe ambiental.

Seu nome, Igarapé Fundo é fruto da época áurea em que era conhecido pelo seu grande volume de água como fala Claudemir Mesquita –  “Nada detia suas correntes” – nas gravações do documentário “Um Igarapé no meu quintal”.

Os primeiros moradores que chegaram na região contam histórias que mais se parecem como tristes lembranças da vida que um dia ali existiu. No Igarapé as roupas eram lavadas, tomava-se banho e a água era usada para todas as “serventias da casa”.

Das primeiras invasões, situadas na década de 80, até os dias atuais, milhares de famílias ocuparam as áreas próximas ao leito e seus dejetos ali foram despejados, sem tratamento algum. Toda a sorte de objetos e cadáveres pra mim até então inimagináveis de serem jogados na água ali estavam. Pedaços de bicicletas, animais mortos, pneus, colchões, geladeiras, garrafas plásticas, sacos com lixo doméstico, todos tipos de plásticos, uma calamidade que as palavras são pequenas para se expressar e as imagens poucas para sua dimensão.

De acordo com estimativas são em torno de 100.000 pessoas vivendo nos arredores do Igarapé e mais de 30 bairros (SEMA) que despejam em natura seu esgoto.

A saúde e a prevenção

A captação de esgoto deve ser prioridades de todos os governos, é nela que reside a prevenção às doenças, com a diminuição dos índices alarmantes de pessoas que se contaminam através do contato com essa água ou da ingestão de níveis acima do normal de colifórmios e bactérias.

O Parque está sendo construído em uma pequena parte do leito do Igarapé que corta a cidade, mas sem a captação adequada do esgoto e políticas afirmativas na área ambiental a vida não poderá comemorar seu triunfo.

Tragédia anunciada

Hoje o Igarapé Judia sofre um grande risco de contaminação por esgoto.  Um conjunto habitacional recentemente construído nas proximidades da fonte do Igarapé, nas proximidades de uma Área de Proteção Ambiental- APP, vai jogar todos seus dejetos no curso da água, segundo matéria de Gilberto Lobo, no  Amazônia TV,  TV Acre.

Na reportagem, moradores das proximidades fazem grave denúncia sobre a possibilidade concreta de contaminação da fonte. O que prejudicaria centenas de famílias e constituiria um desastre ambiental de largas proporções, trazendo mais esgoto sem tratamento para o Rio Acre, algo que ainda pode ser evitado.

O exemplo da triste história do Igarapé Fundo pode agora se repetir e o ciclo de agressão ao planeta recomeçar. Toda a sociedade deve se mobilizar para evitar que tal desastre ocorra. Ou será preciso esperar 30 anos para se tentar remediar?

Temos que aprender que sem água uma nova era de guerras e tragédias pode acometer toda a vida existente no planeta. Isto aliado ao modelo de consumo vigente pode por fim a capacidade da Terra de suprir nossas necessidades e trazer a extinção de toda nossa espécie.

Gilberto Ávila é publicitário graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e professor do curso de comunicação social da Universidade Federal do Acre (Ufac) na área de imagem e editoração. É fotógrafo, webdesigner, designer gráfico, músico, produtor cultural e estréia seu primeiro filme de média metragem – “Um Igarapé no meu quintal” – Rio Branco-Acre-2010. Foi coordenador do projeto “CONSUMO CONSCIENTE-CINEMA E CIDADANIA”.  É autor do curta “Bastidores Proibidos”- Goiânia-GO – 2006.

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